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Esquecimento: quando devo me preocupar?

Esquecimento: quando devo me preocupar?

Esquecer onde guardou as chaves de casa, a data do aniversário do melhor amigo, de realizar o pagamento de contas, ou comprar o que pediram… Você se identifica com alguma dessas situações? Bem provável que sim, já que todos nós somos um pouquinho esquecidos. O problema, porém, é quando o esquecimento compromete a rotina do indivíduo, colocando-o em situações sérias, como demissão, ou até mesmo o divórcio, já que nem todo mundo suporta os frequentes “eu esqueci!”.

Esquecer, todo mundo esquece

E não é somente os idosos que cometem deslizes de memória. Os jovens também, principalmente porque estão cada vez mais expostos a fatores que prejudicam essa parte tão importante da cognição. Na atualidade, é comum os lapsos de memória, já que tem sido comum situações, como:

  • estresse;
  • uso abusivo de medicamentos para se manter acordado;
  • abuso de bebidas alcoólicas;
  • ansiedade;
  • depressão.

Essas situações dificultam a retenção de informações e levam a perdas temporárias de memória. Quando se está ansioso e insatisfeito no ambiente de trabalho, por exemplo, não se presta atenção no que está sendo dito pelos colegas e supervisores. Deixa-se passar informações importantes sobre uma reunião futura, uma ligação urgente ou sobre uma revisão necessária. “Nossa, desculpa, não me lembro de você ter me pedido isso”, costumam dizer os esquecidinhos.

Sinal vermelho

Deve-se ligar o sinal vermelho, como mencionei acima, quando a pessoa apresenta sinais progressivos de esquecimento. Esquece um dia, mais um, mais outro… É o caso do chefe de cozinha que erra os temperos todos os dias, do sujeito que gasta horas para lembrar onde estacionou o carro quase todo dia, do funcionário que não compareceu em 10 das 12 reuniões externas agendadas no mês, porque “deu um branco”.

Percebe que essas situações geram prejuízos econômicos e emocionais? São sintomas que indicam demência, sendo a mais comum a doença de Alzheimer, e a demência vascular. Ambas prevalecem no público mais maduro e estão associadas, também, às alterações de julgamento, capacidade de executar atos da vida diária e às mudanças na linguagem.  

Outras causas importantes que levam ao declínio cognitivo relacionado à memória são:

  • deficiência de vitaminas, como B12 e D;
  • hipotireoidismo (disfunção na glândula tireoide, que deixa o metabolismo lento);
  • sono irregular;
  • uso irrestrito de aparelhos/dispositivos eletrônicos.

Malhe o cérebro para evitar o esquecimento

O cérebro também sofre com os efeitos inevitáveis do envelhecimento. Isto é, à medida que os anos avançam, nosso organismo declina em performance. Mas, calma! É possível atenuar esses efeitos e fazer com que eles se instalem de modo menos agressivo e mais tardiamente.

O segredo é:

  • alimentar-se corretamente;
  • praticar atividade física (mesclando exercícios aeróbicos e de resistência);
  • dormir o mínimo de horas recomendado;
  • aprender algo novo todos os dias (que seja uma palavra em inglês ) de modo a manter o cérebro sempre ativo e saudável.

Tais atividades são fundamentais para que você não faça do esquecimento algo rotineiro. Não vá esquecer, hein?

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como neurologista em Brasília.

Posted by Dr. Heitor Felipe Lima in Todos
Desmaio: o que fazer para socorrer a vítima?

Desmaio: o que fazer para socorrer a vítima?

O desmaio é um sinal de que algo não vai bem no corpo humano. Quando algum amigo, familiar ou até mesmo um desconhecido “cai para trás”, muitos ficam sem reação. Quem está perto de uma pessoa que sofreu esse mal súbito pode adotar algumas ações importantes para socorrer a vítima. Fique atento às informações a seguir para não ser surpreendido, caso assista a este episódio!

O que é o desmaio?

A síncope, conhecida como desmaio, é a perda repentina da consciência e da capacidade de ficar em pé (tônus postural). Ela é seguida de uma recuperação rápida e completa.

A ocorrência, em si, não se trata de uma doença. Entretanto, ela pode dar pistas da existência de problemas de saúde como, por exemplo, doenças cardiovasculares, distúrbios no metabolismo, uso de remédios em alta dosagem e até mesmo de transtornos neurológicos.

É possível que ocorra, também, por motivos emocionais, como cansaço exagerado, nervos à flor da pele e estresse.

Sintomas

Antes do sistema imunológico provocar o desmaio, alguns sinais são aparentes, na grande maioria dos casos, como palidez, suor frio, dor de cabeça, respiração lenta, diminuição da capacidade auditiva e alterações na visão, que pode ficar turva.

Principais cuidados

As principais lesões decorrentes de um desmaio acontecem quando a pessoa cai sobre algum objeto, ou de forma muito agressiva e intensa sobre o chão. Tal impacto pode gerar traumatismos e fraturas ósseas.

Com isso em mente, é importante, ao observar que alguém irá desmaiar, fazer movimentos para que a queda não aconteça de forma brusca, ou que provoque um machucado mais grave. Afaste a pessoa de locais perigosos, como janelas, escadas, ferramentas, entre outros itens.

É fundamental, ainda, que o espaço fique arejado, para facilitar o acesso ao oxigênio e não haja interrupção da respiração. Após o desmaio, é indicado que se coloque a pessoa deitada de lado e, se possível, com as pernas mais elevadas que o tronco, para auxiliar o fluxo sanguíneo. Muito importante salientar: quanto mais gente em volta da vítima, pior para a recuperação da síncope. Isso restringe a circulação do ar e, consequentemente, prejudica o retorno à consciência.  

Se o desmaiado estiver usando roupas apertadas, ou acessórios pesados, tente abrir os primeiros botões da camisa, retirar blusas de frio e sapatos, além de desobstruir toda a pressão que possa haver sobre o corpo. Não precisa deixar o sujeito sem roupa, ok?

Diagnóstico e tratamento

Como citado anteriormente, a causa do desmaio sinaliza a necessidade de investigar as condições de saúde o quanto antes. O médico fará uma inspeção cuidadosa, por meio de exames bioquímicos e de imagem, para checar se está tudo bem, principalmente com a saúde neurológica do paciente. O tratamento indicado será de acordo com os motivos que desencadearam o desmaio.

Então, recapitulando, para ajudar alguém que sofreu um desmaio: evite que a pessoa caia bruscamente sobre o chão, ou sobre objetos perfurocortantes. Não deixe outras pessoas se aglomerarem em volta do desmaiado. Abra janelas e permita a circulação do ar e, se necessário, chame um serviço de emergência.

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O que são alterações da sensibilidade?

O que são alterações da sensibilidade?

Imagine colocar a mão sobre uma superfície relativamente quente e não sentir dor ou qualquer desconforto? Pense, também, em sensações, como frio, formigamento, agulhadas, adormecimento ou pressão aparecendo espontaneamente, sem qualquer estimulação? Esses são dois exemplos de alterações da sensibilidade (hipoestesia e parestesia), que podem estar relacionadas a lesões nas estruturas nervosas.

Tipos de alterações da sensibilidade

Hipoestesia

Trata-se de uma alteração da sensibilidade (térmica, dolorosa ou profunda) ao toque, sendo consequência de um problema de origem nervosa, que pode indicar doenças, como diabetes ou esclerose múltipla. Pode ter relação, ainda, com a presença de certos tumores no cérebro, ou de acidente vascular cerebral (AVC).

Esses sintomas são encontrados, geralmente, em pacientes com depressão, soldados durante a guerra, ou em pessoas que estejam passando por intensos estados emocionais. Hipoestesia também pode ocorrer por administração de drogas, ou compostos com efeitos analgésicos.

Parestesia

Todos nós podemos sentir parestesias. Sabe aquela sensação de dormência e formigamento, que acontece quando ficamos muito tempo sentados? Você talvez esteja sentindo isso agora, e, ao contrário do que muitos dizem, ela não aparece porque o sangue não está circulando, mas, sim, por uma pressão aplicada sobre um nervo. Isso também pode ocorrer em razão de danos em sua estrutura.

O sinal vermelho deve ser ligado quando o incômodo aparece repetidamente. Os episódios podem indicar uma condição mais grave e, portanto, merece um diagnóstico mais cuidadoso. Alteração que pode estar associada à parestesia é a anemia, uma doença caracterizada pela deficiência de glóbulos vermelhos saudáveis na corrente sanguínea, que leva à queda nos níveis de oxigênio e ao aparecimento de formigamento, dormência, indisposição e sonolência.

Tratamentos

O diagnóstico deve ser focado na busca da doença causadora da alteração de sensibilidade. Tomografia computadorizada e ressonância magnética esclarecem se existem áreas danificadas no cérebro. Sabendo dos sintomas, o médico também pode requerer exames de sangue, raio-X, ultrassom de vasos sanguíneos e/ou eletromiografia.

O tratamento dependerá da causa encontrada. Se o formigamento aparecer depois de a pessoa passar longos períodos em uma mesma posição, por exemplo, recomenda-se ficar cinco minutos em movimento à cada hora sentado.

Quando o problema é causado por radiculopatia (compressão de raízes nervosas), identifica-se o local da compressão para, então, resolver por meio de terapias não cirúrgicas, tais como medicação, repouso e fisioterapia. A especialidade fortalece o músculo e eleva a percepção sensível.

Outro ponto interessante é dosar os principais nutrientes essenciais ao pleno funcionamento do organismo. Níveis baixos de vitamina B12 e alto consumo de café e álcool, por exemplo, podem levar à hipoestesia.

Importante que a pessoa entenda que dificuldade contínua e significativa para caminhar, segurar coisas ou fazer movimentos delicados não é algo que deve ser deixado para lá. Em casos extremos, isto é, quando os sintomas perduram por muito tempo, e há evidências de que a compressão está causando prejuízos à raiz nervosa, a cirurgia entra em cena para devolver normalidade à estrutura. Com isso, é possível aliviar as alterações da sensibilidade e evitar que danos acometam a medula espinhal.

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Você já ouviu falar em neuropatia diabética?

Você já ouviu falar em neuropatia diabética?

Nos últimos dez anos, foi registrado o aumento de 62% nas taxas de incidência de diabetes em todo o mundo. Somente no Brasil, cerca de 16 milhões de pessoas sofrem com a doença, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse número coloca o país em quarto lugar no ranking global, ficando atrás da China, Índia e Estados Unidos. Estamos falando de um problema complexo, que tem consequências significativas para a saúde – uma delas é a neuropatia diabética.

O que é neuropatia diabética?

A neuropatia diabética refere-se aos distúrbios nos nervos periféricos provocados por complicações do Diabetes. Os nervos periféricos carregam as informações que saem do cérebro, e aquelas que chegam até ele, além de transmitir os sinais da medula espinhal por todo o corpo.

Este distúrbio é mais uma complicação gerada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue (hiperglicemia). São registrados mais de 150 mil novos casos de neuropatia diabética a cada ano, no país. A maior incidência é em pessoas acima dos 60 anos de idade.

Sintomas

Vítimas da neuropatia diabética podem apresentar sintomas leves a graves. Entre os principais sinais da doença, constam:

  • dor constante;
  • sensação de queimadura e ardência;
  • formigamento;
  • dor espontânea e inesperada;
  • dor excessiva e desproporcional diante de estímulos leves (como uma picada de alfinete);
  • dor excessiva e desproporcional causada por toques leves na pele.

O paciente também pode sofrer com dormência nas pernas e, em casos mais sérios, anormalidades no processo digestivo e na bexiga, além de dificuldades para controlar a frequência cardíaca. Também pode haver quadros de tontura, fraqueza e, no caso dos homens, disfunção erétil.

Quanto antes esses sintomas são questionados e tratados corretamente, melhores são as respostas terapêuticas. Os sintomas podem aparecer cerca de 10 a 20 anos após o paciente receber o diagnóstico de diabetes.

É importante dizer: a redução da sensibilidade está diretamente ligada ao risco de amputação do membro acometido.

Tratamentos e prevenção da doença

Por se tratar de uma enfermidade diretamente relacionada à glicemia, o principal fator de prevenção é manter as taxas de açúcar no sangue equilibradas. Isso se dá por meio da alimentação equilibrada e nutritiva, em conjunto com a prática de atividade física. Esse controle é essencial para  evitar danos neurológicos futuros.

Se você sofre com neuropatia diabética, examine seus pés e pernas todos os dias. Avalie e cuide de suas unhas regularmente. Aplique creme hidratante na pele seca (cuidado para não aplicar entre os dedos). Use calçados adequados para não causar feridas nos pés.

Quando a doença já se instalou, exames laboratoriais e de imagem ajudam a fechar o diagnóstico para, então, começar o tratamento. Este é feito, geralmente, com a administração de insulina e medicamentos voltados para o controle da dor. Cremes e sprays são muito estratégicos para o alívio dos sintomas.

Agora que você conhece um pouco sobre a neuropatia diabética, previna-se dessa doença, que é responsável por cerca de dois terços das amputações não traumáticas.

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6 causas da sonolência excessiva

6 causas da sonolência excessiva

O sono é um dos fatores mais importantes para o bom funcionamento do organismo. Quando você hiberna, seu corpo literalmente coloca a casa em ordem. Nesse intervalo, hormônios são secretados pelo organismo, o sistema imunológico é fortalecido, a memória é consolidada e cada célula se ajeita para continuar aguentando o batente. Se essa conta não fecha, uma das consequências possíveis é a sonolência excessiva. Vamos descobrir seis causas para esse problema?

Causas da sonolência excessiva

1# Privação crônica de sono

O primeiro motivo é óbvio: se a pessoa não dorme direito, é impossível se sentir restaurada no dia seguinte. Isso pode acontecer, por exemplo, com mulheres nos primeiros dias após o parto, com trabalhadores de dois empregos, que comprometem uma fatia considerável das horas de sono. Também é comum em estudantes que estão correndo para entregar um trabalho importante e ficam acordados até tarde, ou com aqueles que se deitam em colchão desconfortável e, de quebra, convivem com vizinhos barulhentos.

2# Apneia do sono

Um a cada três brasileiros conhece de perto esse problema, que vai muito além do ronco. A apneia causa o esforço respiratório, que deixa o sono fragmentado e de má qualidade. O principal fator de risco para apneia do sono é a obesidade. Os homens, em geral, são duas vezes mais propensos a desenvolver a doença do que as mulheres.

3# Depressão

Em média, 80% dos pacientes depressivos apresentam alterações nos padrões quantitativos e qualitativos de sono. A maioria sofre com insônia, despertares noturnos frequentes, descanso insuficiente e sonhos perturbadores. Esse cenário, claro, gera hipersonolência diurna, quando o corpo até fica de pé, mas sem condições plenas de funcionamento.

4# Deficiência vitamínica

Duas vitaminas podem estar em níveis baixos, quando existe sonolência excessiva. A primeira delas é a B12, que em conjunto com o ácido fólico (B9) ajuda a manter o ferro no corpo, além de auxiliar a produção de glóbulos vermelhos. A segunda é a vitamina D, que é obtida majoritariamente durante a exposição solar e que controla 270 genes.

5# Distúrbios na tireoide

Se compararmos o tamanho da glândula tireoide com o tamanho de outros órgãos do corpo humano, podemos pensar, à primeira vista, que ela não é tão importante assim. Seu peso aproximado é de 15 a 25 gramas (no adulto). Engano! Essa “borboletinha” interfere em absolutamente tudo no organismo. Por isso, ela precisa estar em perfeito estado de funcionamento para garantir o equilíbrio e harmonia do organismo. Quem sofre de hipotireoidismo, quando a doença não está controlada, esbarra com um sono quase incontrolável.

6# Narcolepsia

Neste caso, mesmo que a pessoa durma bem, ela irá ter sonolência excessiva no decorrer do dia. Este problema, que pode ser confundido com desatenção, depressão e crise convulsiva, acontece devido à destruição autoimune do neurotransmissor hipocretina, no hipotálamo lateral. Isso ocorre em pacientes com risco genético. Esse hormônio age na regulação do sono, sobretudo na fase do sonho.

Quer saber mais sobre sonolência excessiva? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como neurologista em Brasília.

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Como funciona nossa memória?

Como funciona nossa memória?

Ela é importante para conseguirmos realizar as ações mais simples e corriqueiras do dia a dia, e para guardarmos tudo aquilo que atribui sentido à nossa existência. Sem memória, como um garçom conseguiria dar conta de tantos pedidos no trabalho? Como o ser humano atribuiria sentimento àqueles que o cercam? Como, enfim, teríamos chegado a esta sociedade absurdamente tecnológica e complexa que nos circunda? Já parou para pensar como essa engrenagem tão importante da cognição funciona?

Tipos de memória

Existem três categorias de memória. A primeira delas, a sensorial, é aquela que retém as informações que chegam pelos cinco sentidos. Ela prepara as informações em menos de dois segundos, para serem armazenadas, ou não, pelo cérebro.

Os conteúdos que ultrapassam essa etapa chegam à memória de curta duração, que, como o próprio nome sugere, guarda o que foi apreendido nos últimos segundos, minutos ou até horas. É este o mecanismo utilizado pelo garçom: você pede um suco, ele entende o comando, aguarda a bebida ser preparada e, enfim, entrega o pedido a você. É o que costumamos nomear de memória de trabalho, ou primária.

O último estágio é a memória de longa duração. Só alcança esse lugar aquilo que é relevante para o indivíduo. É nesse repositório infinito que residem as paixões de décadas, os conteúdos que você aprendeu na faculdade, o cheiro do bolo que sua avó fazia quando você era criança, o telefone do primeiro namorado, as letras de música que marcaram uma fase especial, um segundo idioma… Trata-se de uma verdadeira biblioteca.              

Um arsenal de fazer inveja

Tudo acontece no cérebro. Esta máquina é composta por cerca de 100 bilhões de neurônios. Essas células, infinitamente menores que um fio de cabelo, se unem nas sinapses (espaços entre os neurônios), onde os dendritos se agarram uns aos outros, criando, assim, padrões de comunicação e comportamento. Nesse processo, as moléculas de RNA mensageiro (RNAm), que codificam a proteína beta-actina – encontrada no núcleo dos neurônios e que tem papel fundamental na formação das memórias – são, em parte, grandes responsáveis por sermos quem somos.

Socorro, deu um branco

O cérebro, assim como os demais órgãos do corpo humano, também pode sofrer prejuízos que comprometem suas estruturas e seu funcionamento. É nessas horas que alguém diz ter tido “um branco” daqueles. Entre os hábitos que comprometem a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações estão:

  • consumo excessivo de gordura e açúcar;
  • uso simultâneo de dispositivos de mídia;
  • ingestão de bebida alcoólica;
  • tabagismo;
  • sono curto e de baixa qualidade.   

E o que faz bem para a memória? Foco, em primeiro lugar. Isso significa dispensar energia fazendo uma única coisa de cada vez, prestando atenção exclusivamente em algo e esquecendo-se momentaneamente das demais coisas, ou tarefas. Outra ação interessante é associar uma informação importante, e que precisa ser lembrada, a uma imagem. Fazer exercícios mentais e físicos, cuidar da alimentação, ter uma vida social saudável e, não menos importante, espantar o estresse e manter o bom humor em alta são ações que te ajudarão a manter uma memória saudável.  

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Você conhece os tipos de crises epiléticas?

Você conhece os tipos de crises epiléticas?

Um dos quadros clínicos que mais assustam as pessoas, e geram ambiente de pânico, é o  das crises epilépticas. Quem sofre do problema pode começar a debater-se no chão, na cadeira, na cama, fazendo vários movimentos involuntários com os membros do corpo. É uma situação séria pois, por não conseguir se controlar, o sujeito pode esbarrar em uma panela quente, cair em uma escada, despencar de um andar a outro, entre outras consequências significativas.

Sobre a epilepsia

Existem indícios da epilepsia desde o início da vida humana. Seu nome tem origem grega e supõe a junção de palavras que representam “surpresa” ou “evento inesperado”. Ela pode ser caracterizada como uma atividade excessiva e anormal das células cerebrais, que gera a convulsão.

Entre as causas do evento, constam a lesão cerebral, que pode ser ocasionada em razão de uma forte pancada na cabeça; infecções (meningite, por exemplo); abuso de bebidas alcoólicas; drogas; intercorrências no parto.

O que acontece durante a epilepsia?

A pessoa que sofre de crises epilépticas pode sentir medo repentino, desconforto na região estomacal, perda de consciência, contração dos músculos, mordida na língua, confusão mental e incontinência urinária. Quando uma crise se instala, é possível perceber, por exemplo, tremores no rosto e/ou em membros do corpo, formigamento, mal estar, corpo rígido e convulsões.

Tipologias

Estudos demonstram que existem cerca 30 tipos diferentes de crises epilépticas, que são divididas em dois grandes grupos.

O primeiro é chamado de parcial. Ele é subdividido em outros dois: parcial simples e parciais complexas. No primeiro, os sintomas comuns aparecem, mas a consciência não é prejudicada. No outro, por sua vez, constata-se a presença de maior complexidade nas ações motoras, além da perda de consciência.

O segundo grande grupo é a epilepsia generalizada, que também possui mais dois subgrupos. O primeiro, generalizada de ausência, ocorre quando o paciente sofre perda da consciência.

Já o segundo, o tônico-clônica, compreende-se em duas fases. Na tônica, há perda de consciência, o paciente cai, o corpo se contrai e enrijece. Na clônica, o sujeito contrai e contorce as extremidades do corpo, perdendo a consciência que, após a crise, é recobrada gradativamente.

O que fazer?

É muito importante ir ao médico para que o diagnóstico seja feito o quanto antes. O profissional irá realizar exames, como eletroencefalograma e neuroimagem, além de avaliar todo o histórico clínico do paciente. Se não há lembrança de uma das crises epiléticas, uma pessoa que viu precisa estar presente para relatar ao médico.

O tratamento, depois de confirmado o quadro de epilepsia, é feito com base em medicamentos, que têm o objetivo de eliminar as crises ou bloqueá-las. Vale ressaltar que não é preciso tomar vários remédios para corrigir esse problema: apenas um, controlando a dosagem, traz os efeitos esperados.

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Tontura: causas e tratamentos

Tontura: causas e tratamentos

Você está caminhando tranquilamente pela rua quando, de repente, não se sente bem e percebe que precisa parar para a tontura passar. Na hora, logo pensa: “Será que é algo que eu comi? Será que é sério? O que está acontecendo comigo?”. Existem diversas causas que desencadeiam o desequilíbrio temporário do organismo. Vejamos quais são elas e qual o tratamento indicado.

Um nome, vários sinais

Quando alguém diz que está “tonto”, na verdade, o indivíduo se refere a sensações do corpo, como:

  • desfalecimento (sensação de desmaio);
  • desequilíbrio (sensação de instabilidade);
  • vaga desorientação, como se estivesse flutuando na água;
  • vertigem, dentre outras manifestações.

Você pode estar se perguntando: “Mas, tontura e vertigem não são a mesma coisa?”. Embora muito se utilize esses termos como sinônimos, eles designam alterações diferentes.

Quando a tontura é causada por uma sensação de movimento rotatório, ou seja, parece que tudo ao redor está girando, damos o nome de vertigem. É igualzinho descer de um brinquedo infantil depois de rodar por alguns segundos. Já passou por isso?

Causas da tontura

A maioria dos casos são desencadeados por doenças do aparelho vestibular, lesões cerebrais e distúrbios psiquiátricos. Em algumas situações, a pessoa confunde pré-síncopes e desequilíbrios com a tontura propriamente dita.

Podemos dividir assim:

  • causas mais comuns de tonturas com vertigem: vertigem posicional paroxística benigna, doença de Ménière, neuronite vestibular;
  • causas mais comuns de tontura sem vertigem: efeito de medicamentos e razões multifatoriais.

Sobre os medicamentos especificamente: alguns apresentam toxicidade específica para os nervos auditivos e/ou para os órgãos do equilíbrio. Por esse motivo, causam ilusão de movimento e certa incapacidade de focar em um alvo visual. Outros, como os sedativos, afetam o cérebro por completo.

Tratamentos

O tratamento pode incluir suspensão/redução/substituição de medicamentos que estejam contribuindo para a sensação de tontura. Se ocorrer náuseas ou vômitos, remédios específicos podem entrar em cena. Se a vertigem é algo persistente, a fisioterapia pode ajudar as pessoas, sobretudo os idosos, a lidarem com o senso de equilíbrio perturbado.

Estratégias preventivas incluem:

  • evitar olhar ou se inclinar para baixo;
  • guardar objetos em níveis fáceis de alcançar;
  • levantar-se devagar, depois de sentar ou deitar-se;
  • cruzar as mãos e flexionar os pés antes de se levantar;
  • aprender exercícios que mesclem movimentos dos olhos, da cabeça e do restante do corpo;
  • fortalecer os músculos e manter a marcha independente o máximo possível.

Ligue o sinal vermelho e busque ajuda médica imediatamente se a tontura vier acompanhada de dor de cabeça, dor no pescoço, dificuldade para andar, ouvir, falar, ver, engolir, mover braços e pernas, além de perda de consciência (desmaio). Esses indícios indicam a necessidade de o paciente submeter-se a uma ressonância magnética (RM). Esse e outros testes não são realizados em todos os casos. Vale ressaltar, pois, na maioria das ocorrências, os médicos conseguem determinar uma medida terapêutica apenas com o exame físico e a anamnese (entrevista com o paciente).

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Como o neurologista atua no tratamento da ELA

Como o neurologista atua no tratamento da ELA

ELA, Esclerose Lateral Amiotrófica, é uma doença neurodegenerativa que gera paralisia motora irreversível, progressiva e limitadora. É uma das doenças neurológicas mais conhecidas e incapacitantes do mundo. Atualmente, afeta cerca de 100 mil pessoas no planeta.

As principais manifestações da ELA consistem no enfraquecimento muscular combinado a contrações involuntárias e incapacidade de mexer os membros. Lentamente a doença progride e se agrava. Nos graus mais avançados, esse tipo de esclerose dificulta a respiração.

O especialista responsável por conduzir o tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica é o neurologista. Entenda como esse profissional atua no tratamento.

A participação do neurologista é determinante no diagnóstico da ELA

Também chamada de doença de Lou Gehrig e doença de Charcot, a Esclerose Lateral Amiotrófica tem origem desconhecida em 90% dos casos. Pode estar associada a desequilíbrios químicos, doença autoimune e mau uso das proteínas que ocasionam a morte das células neuronais.

Em 10% dos casos a doença tem causa genética. Independentemente da origem, a ELA é caracterizada pelo desgaste dos neurônios que ficam defeituosos ou morrem, o que os inviabiliza de continuar mandando mensagem aos músculos.

O neurologista age, primeiramente, para fazer o diagnóstico adequado da doença e, inclusive, pesquisar as causas possíveis. Baseia-se na análise dos fatores de risco, incidência de sintomas específicos, resultado dos exames físicos, de imagem e  testes laboratoriais, como investigação genética e exames de sangue. Os exames são realizados com a finalidade de confirmar a ocorrência da ELA e descartar outras doenças degenerativas.

O tratamento da ELA visa amenizar seus sintomas

O neurologista atua, principalmente, com finalidade paliativa, uma vez que a doença é degenerativa, progressiva e incurável. Com o avanço da medicina, hoje é possível retardar o avanço da Esclerose Lateral Amiotrófica e proporcionar a amenização dos sintomas e melhora da qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

Na maioria dos casos, os sintomas aparecem depois dos 50 anos, embora possam surgir em pessoas mais jovens. Entre os sintomas comuns estão a dificuldade respiratória, engasgos frequentes, problemas de deglutição, baba, gagueira, falta de sustentação nos músculos do pescoço, câimbras, dificuldade de locomoção, fraqueza nos membros, paralisia, fala arrastada, rouquidão e outras alterações na voz, perda de peso, tremor e espasmos.

O neurologista conduz o tratamento

Embora o tratamento dessa condição seja multidisciplinar, o neurologista é responsável por dar as coordenadas. O médico prescreve medicação voltada para a redução da velocidade de progressão da ELA, no intuito de prolongar a vida do indivíduo.

Outros tratamentos complementares, como ventilação mecânica, fisioterapia, reabilitação, uso de muletas, bengala, colete, cadeira de rodas e outras ferramentas ortopédicas podem melhorar a qualidade de vida do indivíduo. Como ocorrem alterações na deglutição e pode haver perda de peso, a participação do nutricionista é importante para tratar a Esclerose Lateral Amiotrófica.

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Paraparesia espástica familiar: o que é e como tratar

Paraparesia espástica familiar: o que é e como tratar

A paraparesia espástica familiar, também conhecida como síndrome Strumpell-Lorrain, é uma doença hereditária, caracterizada por manifestações físicas como contração dos membros inferiores e rigidez muscular progressiva. Tal condição é resultante de lesões ou disfunção nos nervos.

A doença foi descrita pela primeira vez pelo neurologista alemão Adolph Strumpell, em 1883 e, cinco anos mais tarde, a descrição foi ampliada pelo médico francês Maurice Lorrain.

A paraparesia espástica familiar pode gerar sintomas como alterações na retina e nervo ótico, falta de coordenação muscular (ataxia), problemas cognitivos, epilepsia, surdez e neuropatia periférica.

Atualmente, a paraparesia espástica familiar atinge homens e mulheres na mesma proporção. Pode se manifestar em todas as faixas etárias. A estimativa é que tal condição afeta  de 3 a 10 em cada 100 mil pessoas. A expectativa de vida não é impactada diretamente pela doença.

Saiba mais sobre a Síndrome Strumpell-Lorrain e entenda melhor seu conceito, causas, sintomas e tratamentos.

O que é como surge a paraparesia espástica familiar?

A paraparesia espástica familiar é uma doença neurológica hereditária que resulta de problemas no sistema nervoso. É causada por alterações que geram defeitos em mecanismos responsáveis por transportar proteínas e outras substâncias importantes através das células.

Nesse tipo de comprometimento neurológico, os nervos longos são afetados potencialmente, uma vez que eles precisam transportar o material celular por longas distâncias e, particularmente, são mais sensíveis a ações defeituosas no transporte celular.

Quais os sintomas mais comuns?

A paraparesia é uma rara doença hereditária, que costuma causar fraqueza gradual combinada com espasmos musculares nas pernas. Pode ser que a pessoa também apresente reflexos exagerados, câimbras, problemas na marcha e dificuldades para controlar as funções musculares.

Como tratar essa condição?

O tratamento não é corretivo, mas paliativo. Não existe cura definitiva para a paraparesia espástica familiar. Com um bom acompanhamento neurológico, é possível amenizar os sintomas, adiar a evolução da doença e melhorar a qualidade de vida.

O tratamento para a síndrome Strumpell-Lorrain inclui sessões de reabilitação por meio de fisioterapia para o fortalecimento muscular, exercícios leves, medicação anti-espasticidade, com foco no relaxamento dos músculos. A automedicação é completamente contraindicada. Somente um neurologista qualificado pode prescrever o tipo de fármaco, a dosagem e a duração do tratamento medicamentoso.

O tratamento ideal depende do diagnóstico adequado. Por isso, para confirmar a doença, o médico neurologista não apenas considera os sintomas relatados, como também faz avaliação física, checa o histórico familiar, investiga a possibilidade de o indivíduo ter outras doenças com sintomas parecidos e solicita exames complementares, como testes genéticos. Eventualmente, essa síndrome pode ser confundida com compressão de medula espinhal e esclerose múltipla.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como neurologista em Brasília.

Posted by Dr. Heitor Felipe Lima in Todos