Dr. Heitor Felipe Lima

O que é a Esclerose Lateral Amiotrófica?

O que é a Esclerose Lateral Amiotrófica?

A Esclerose Lateral Amiotrófica, também conhecida pela sigla ELA, é uma doença degenerativa do sistema nervoso. Isso significa que o quadro pode acarretar danos motores progressivos, limitantes e irreversíveis.

A degeneração provocada pela condição ocorre em vários níveis do sistema motor, podendo atingir a região bulbar, cervical, torácica e lombar. A enfermidade é rara e sua incidência é de 1 caso para cada 50 mil pessoas por ano.

Quer entender melhor essa doença e conhecer suas principais características, causas, sintomas e tratamentos? Continue a leitura e saiba mais.

Quais são as características da ELA?

Nessa doença, os neurônios morrem ou se desgastam a ponto de não conseguirem enviar mensagem aos músculos. Com isso, a musculatura vai enfraquecendo, gerando incapacidade de movimentar pernas e braços, além de produzir contrações involuntárias.

O quadro vai se agravando progressiva e lentamente, até que os músculos do peito parem de trabalhar, o que dificulta a respiração por conta própria.

E as causas de Esclerose Lateral Amiotrófica?

Em aproximadamente 10% dos casos, a enfermidade é causada por defeito genético. Nos outros 90% dos casos, a causa é desconhecida, mas pode estar relacionada a fatores como desequilíbrio químico, doenças autoimunes ou acumulação e mau uso de proteínas nas células.

Quais são os sintomas desse tipo de esclerose?

Os sintomas geralmente aparecem a partir dos 50 anos de idade, mas podem se manifestar em pessoas mais novas também. Os sinais típicos consistem na perda de força e coordenação muscular, que pioram gradualmente e acabam impossibilitando a realização de tarefas corriqueiras, como subir escadas, levantar-se do sofá ou, até mesmo, engolir os alimentos.

Os músculos envolvidos na respiração também são afetados, o que desencadeia dificuldades respiratórias. Além disso, os sentidos podem ser prejudicados, já a capacidade de raciocínio geralmente é preservada.

Nos casos de ELA, pode haver engasgos com facilidade, baba, gagueira, câimbras musculares, contrações involuntárias, dificuldade para levantar objetos, paralisia, alterações na dicção, mudanças na voz e perda de peso.

Como tratar a ELA?

Por ser uma condição neurodegenerativa, não existe cura para a doença. Entretanto, com o tratamento adequado, é possível obter mais saúde e qualidade de vida. A abordagem terapêutica inclui o uso de medicação para reduzir a velocidade de progressão do quadro e prolongar a vida do paciente com ELA.

A reabilitação com fisioterapia, terapia ocupacional, o uso de órteses e outras medidas ortopédicas são capazes de melhorar as funções musculares e a saúde geral da pessoa que tem Esclerose Lateral Amiotrófica.  Dispositivos respiratórios também são úteis.

A nutrição também assume um papel importante no processo, pois pacientes com essa doença costumam perder peso em decorrência da dificuldade de deglutição. Isso faz com que haja uma maior necessidade de ingestão calórica e nutrientes específicos.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como neurologista em Brasília.

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O que são miopatias congênitas?

O que são miopatias congênitas?

As miopatias são desordens musculares que se restringem aos músculos e não apresentam relação com problemas estruturais no nervo periférico. Há vários tipos de miopatias, sendo que as principais são as distrofias musculares, distrofia miotônica, miopatias inflamatórias, miopatias metabólicas e miopatias congênitas.

Neste artigo, vamos explicar um pouco mais a miopatia congênita. Quer descobrir o que é, quais são os tipos, sintomas e tratamentos possíveis? Leia o artigo e saiba mais acerca do assunto!

O que é miopatia congênita?

A miopatia congênita tem caráter hereditário e está presente desde o nascimento, embora os sintomas possam aparecer tardiamente em algumas pessoas. Essa condição costuma causar fraqueza e hipotonia nos bebês, ainda no período neonatal. O retardo motor tende a ficar ainda mais evidente no decorrer da infância. Apesar de graves, as miopatias congênitas não são doenças degenerativas.

Tipos de miopatia congênita

As miopatias congênitas mais comuns são classificadas de três formas: miopatia nuclear, miopatia centronuclear e miopatia nemalina. A classificação depende das características histológicas, do conjunto de sintomas e do prognóstico. O diagnóstico é confirmado a partir da análise das manifestações clínicas e realização de biópsia muscular.

Vale destacar que a miopatia nuclear é a forma mais frequente de miopatia congênita. Ela está relacionada a mutações no gene RYR1 e é caracterizada pela presença de núcleos em amostras de biópsia muscular, nas quais a coloração da enzima oxidativa está ausente.

A miopatia centronuclear, por sua vez,  consiste na grande quantidade de núcleos centrais que aparecem na biópsia muscular. Esse tipo está ligado ao cromossomo X e é certamente um dos mais graves, já que a maioria das crianças com essa forma de miopatia congênita não ultrapassam o primeiro ano de vida.

Já a miopatia nemalina é resultante de mutações em variados genes, as quais estão associadas à produção das proteínas afiladas filamentosas. Ela pode ser leve, moderada ou grave.

Sintomas

Na miopatia nuclear, as principais características são a hipotonia, leve fraqueza da musculatura corporal, falta de força nos músculos da face, maior suscetibilidade à hipertermia maligna.

Os sintomas da miopatia centronuclear incluem ptose, oftalmoplegia externa e fraqueza bifacial. Para completar, os sinais da miopatia nemalina podem envolver, a depender da gravidade, fraqueza nos músculos respiratórios, insuficiência respiratória, fraqueza nos músculos do tronco, dos pés, do pescoço e da face.

Tratamentos possíveis

O tratamento das miopatias congênitas deve ser voltado para o controle dos sintomas, a preservação das funções motoras e a melhora da qualidade de vida do paciente.

Normalmente, a abordagem terapêutica inclui sessões de fisioterapia e hidroterapia, acompanhamento especializado com o neurologista, além do uso de medicamentos específicos, como os corticosteroides.

Quando a miopatia causa contraturas e deformidades, pode ser necessário recorrer a procedimentos cirúrgicos para corrigir tais condições musculares.

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Saiba o que é demência vascular

Saiba o que é demência vascular

A demência vascular é uma das principais síndromes demenciais existentes. Ela ocorre quando o cérebro sofre danos decorrentes de problemas cardiovasculares ou cerebrovasculares, a ponto de provocar algum grau de demência. O AVC, por exemplo, é a segunda maior causa de síndromes demenciais na população idosa, ficando atrás somente do Alzheimer.

Quer saber um pouco mais sobre as especificidades desse tipo de demência? Leia o artigo completo e fique por dentro do assunto.

Como a demência vascular ocorre?

As lesões vasculares que podem resultar em demência geralmente ocorrem por problemas no transporte de sangue para o cérebro. Elas podem ser consequências do infarto lacunar de pequenos vasos, múltiplos infartos em vasos de tamanho médio ou único infarto que acomete áreas cruciais do cérebro, como o tálamo e o giro angular.

O problema pode, também, ser provocado pela perda irregular e difusa de mielina e axônios, como morte tecidual em função de infarto ou perda de suprimento de sangue para a massa branca cerebral. Esse quadro incomum é chamando de demência de Binswanger.

Alguns fatores de risco aumentam a propensão à demência vascular, como ter diabetes, apresentar taxa elevada de gordura no sangue, ser homem, diabético e fumante, bem como ter idade superior a 70 anos.

Quais são os sintomas de demência vascular?

Como os demais tipos de demência, a vascular gera prejuízos cognitivos e pode comprometer a realização de tarefas corriqueiras. Além disso, as síndromes demenciais desencadeiam instabilidade emocional.

Outras manifestações comuns são déficit de atenção, alterações na linguagem, perda de memória, dificuldades motoras, alterações de humor, anormalidades na marcha, fraqueza nos membros etc. Tais sintomas podem ter início repentino e progredir, intercalando períodos de estabilidade com pioras súbitas.

Como diagnosticar a condição?

O diagnóstico do problema é similar ao de outras formas de demência. Primeiramente, são considerados os sintomas físicos, cognitivos e neuropsiquiátricos. O histórico do paciente, idade, perfil clínico e estado geral de saúde também são levados em conta para confirmar ou descartar a síndrome demencial.

Para complementar a investigação, é importante buscar evidências baseadas nos resultados de exames de neuroimagem.

O que permite o diagnóstico diferencial entre a demência vascular e outras formas de demência, como o Alzheimer, é a existência de infartos cerebrais e sinais focais de outros problemas cerebrovasculares, como o AVC.

Como tratar esse tipo de demência?

As demências são progressivas e irreversíveis. Entretanto, o tratamento é importante para melhorar a qualidade de vida do paciente e evitar complicações clínicas, como infecções, desnutrição, imobilidade, problemas de deglutição, entre outras.

Infelizmente, não há como reparar os danos que já foram causados. Contudo, com acompanhamento neurológico adequado, dieta balanceada, fisioterapia, atividade física regular, uso de fármacos específicos e estimulação intelectual, a pessoa com demência pode viver mais e melhor.

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Quais são os tipos de cefaleia?

Quais são os tipos de cefaleia?

Nem todas as pessoas sabem, mas há pelo menos 150 tipos de cefaleia, que nada mais é do que o termo médico usado para designar a dor de cabeça. Essa manifestação é tão comum que dificilmente há alguém que nunca tenha passado por um episódio desses na vida.

Bastante incômodas, as dores de cabeça podem atingir pessoas de todas as idades, podendo estar associadas a transtornos físicos, emocionais, psicológicos ou, até mesmo, efeitos colaterais de medicamentos.

De intensidade variada, a dor pode atingir diferentes partes da cabeça. Os tipos de cefaleia são definidos pelas causas determinantes, havendo basicamente dois grupos: o de cefaleias primárias e o de cefaleias secundárias. As cefaleias primárias correspondem simultaneamente ao sintoma e à enfermidade em si. Em outras palavras, ela é a própria doença. É o caso da enxaqueca, por exemplo. As cefaleias secundárias, por sua vez, estão relacionadas a outras condições, como sinusite, meningite, gripe, encefalite, tumores cerebrais, aneurismas, AVC, distúrbios oftalmológicos etc.

Quer conhecer os tipos mais comuns de cefaleia primária? Confira a lista e saiba mais sobre as principais características de cada tipo de dor de cabeça!

Tipos de cefaleia

Cefaleia tensional

A cefaleia tensional pode ser aguda ou crônica. Entre todas as cefaleias, ela é a mais prevalente e resulta da tensão prolongada ao redor do pescoço, o que sobrecarrega a musculatura cervical e a musculatura em torno do crânio.

Esse tipo de dor de cabeça provoca a sensação de peso ou aperto, costuma ser bilateral e sua intensidade é leve ou moderada. Tal dor fica concentrada na testa, nuca ou parte superior da cabeça, sendo que a duração da crise é variável. Não chega a ser incapacitante na maioria dos casos, portanto, a pessoa geralmente consegue realizar as tarefas corriqueiras.

Cefaleia em salvas

A cefaleia em salvas normalmente é pulsante e muito forte, atinge um lado só, especificamente na face, no fundo de um dos olhos ou na região temporofrontal. Além da dor, há sintomas como queda palpebral e congestão ocular, com olhos lacrimejantes e vermelhos. Pode ocorrer, também, coriza e obstrução nasal no lado afetado.

As crises costumam acontecer com frequência e se repetir por dias ou meses. Assim como surgem repentinamente, podem desaparecer de uma hora para outra, com remissão espontânea. Tais crises podem acontecer várias vezes seguidas, de uma a oito vezes por dia.

Ao que tudo indica, esse tipo de cefaleia tem origem no hipotálamo, uma importante estrutura do cérebro relacionada aos ciclos de sono e vigília. O quadro é mais frequente em homens entre a segunda e terceira década de vida.

Enxaqueca

A enxaqueca é um problema que acomete mais as mulheres, diferentemente da cefaleia em salvas. Chamada também de migrânea, esse tipo de cefaleia é um transtorno neurovascular crônico, incapacitante e multifatorial. As crises de enxaqueca podem ocorrer em qualquer faixa etária, mas, de modo geral, se iniciam na adolescência.

Na enxaqueca, a dor de cabeça é latejante e unilateral, de intensidade moderada ou forte. Ela pode vir acompanhada de aparecimento de pontos luminosos, linhas ou embaçamento da visão. Além disso, pode ocorrer vômito, náuseas, sensibilidade aos sons, luzes e movimentos.

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Cefaleia tensional: 6 dicas para evitar as dores

Cefaleia tensional: 6 dicas para evitar as dores

Você sabia que existem mais de 150 tipos de cefaleia? A cefaleia tensional é justamente a mais comum delas.  Só para ter ideia, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, de 38 a 74% dos brasileiros já tiveram algum episódio dessa dor de cabeça difusa, que produz desconforto suportável.

Essa forma de dor de cabeça pode ser crônica ou aguda e, apesar de incômoda, ela não chega a ser incapacitante. A cefaleia tensional, como o próprio nome sugere, é uma dor de cabeça que resulta da tensão prolongada em torno do pescoço, fato que pode sobrecarregar a musculatura cervical e a musculatura ao redor do crânio.

Esse tipo de cefaleia é caracterizado por sensação de aperto ou peso na cabeça, como se uma faixa estivesse pressionando a região. Ela costuma se concentrar em um lado só, e a sua intensidade é leve ou moderada. Quem tem cefaleia tensional geralmente sente dor bilateral na testa, na nuca ou na parte  superior da cabeça. A duração da crise varia de acordo com cada quadro e, na maioria dos casos, não apresenta maior gravidade.

A boa notícia é que o problema pode ser evitado. Continue a leitura do artigo e confira 6 maneiras simples de evitar a dor de cabeça por tensão.

Dicas para evitar a cefaleia tensional

1. Descanse

Evite a sobrecarga de trabalho e aproveite os momentos de folga para descansar e relaxar. Crie o hábito, inclusive, de fazer pequenas pausas durante o expediente. Lembre-se de que trabalhar sem parar pode te deixar tenso e favorecer o surgimento desse tipo de cefaleia. Além disso, procure dormir bem para não sofrer os efeitos nocivos da privação do sono. O repouso insuficiente é inimigo da saúde e do bem-estar.

2. Não exagere nos exercícios

Exagerar na intensidade dos exercícios também aumenta o risco de cefaleia tensional. As atividades físicas são importantes para a saúde, entretanto, seu excesso pode ser prejudicial.

O ideal é adequar os treinos ao seu condicionamento físico e contar com a orientação de um bom profissional para indicar o número adequado de séries, evitar cargas demasiadas, prevenir lesões e supervisionar a postura durante o exercício. É importante se atentar ao último ponto, uma vez que a má postura também desencadeia a dor de cabeça por tensão.

3. Cuide das emoções

Cuide das suas emoções e busque tratamento para condições como estresse emocional ou mental, depressão e ansiedade. Se for necessário, procure o psicólogo ou psiquiatra para encontrar ferramentas para lidar com essas condições, amenizando sintomas físicos e mentais, como dor de cabeça, fadiga, alterações de humor etc.

4. Alimente-se bem

A alimentação pode ajudar – e muito – na prevenção da dor de cabeça tensional. Vale a pena reduzir o consumo de açúcar, sal, gordura e alimentos embutidos, ricos em aditivos químicos. Aposte em legumes, verduras e frutas, consuma grãos integrais e não fique muito tempo sem comer, pois o jejum prolongado pode causar dor de cabeça.

5. Abstenha-se de hábitos prejudiciais

Para ter mais saúde e qualidade de vida, é imprescindível eliminar hábitos prejudiciais, como o alcoolismo e o tabagismo. O consumo abusivo de cafeína e de outras substâncias estimulantes também deve ser evitado.

6. Não se automedique

Alguns medicamentos realmente podem aliviar a dor de cabeça. Entretanto, a automedicação é uma prática completamente contraindicada. Tomar o mesmo remédio por conta própria, repetidas vezes, pode aumentar a tolerância ao medicamento e reduzir a eficácia, além de colocar a segurança do usuário em risco.

Ainda que o fármaco pareça inofensivo, ele pode causar efeitos colaterais e, até mesmo, intensificar a cefaleia. Somente o médico pode indicar o tipo, dosagem e duração adequada do tratamento farmacológico. Fica a dica!

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AVC tem cura?

AVC tem cura?

O acidente vascular cerebral (AVC), ou derrame, é uma condição grave, capaz de colocar a vida do indivíduo em risco. Só para ter ideia, ele provoca mais de 6 milhões de óbitos todos os anos.

No Brasil, o derrame é a principal causa de morte e também é responsável pela maioria dos quadros de incapacitação funcional, uma vez que suas sequelas tendem a ser bastante limitantes.

Aproximadamente 50% dos indivíduos que sofrem um acidente vascular cerebral se tornam dependentes de outras pessoas, e cerca de 70%  jamais volta ao trabalho depois de um derrame.

Vale destacar que o AVC é relativamente comum, tanto que, a cada minuto acontecem, em média, 30 novos casos de acidente vascular cerebral. Uma dúvida que paira na mente de muitas pessoas é se o derrame tem cura. Continue a leitura e tire as suas próprias conclusões.

O que é AVC?

O AVC ou derrame cerebral é um quadro caracterizado por um súbito déficit neurológico, provocado por distúrbios nos vasos sanguíneos do sistema nervoso. Ele pode ser classificado como AVC isquêmico, quando ocorre a redução ou obstrução do suprimento de sangue em uma artéria, ou AVC hemorrágico, que é resultante da ruptura de um vaso sanguíneo, desencadeando extravasamento e hemorragia cerebral.

O AVC isquêmico é mais frequente (85% dos casos). Embora menos incidente, o AVC hemorrágico é mais perigoso e gera consequências mais graves.

Uma pessoa pode se curar de um AVC?

Primeiramente, é preciso esclarecer que o AVC não é uma doença, mas uma condição episódica. Quem teve um derrame não é necessariamente um portador de uma patologia, e também não está sentenciado a ter outros acidentes vasculares cerebrais, embora haja uma maior propensão à recorrência. Então, a pergunta adequada talvez seja: será que é possível curar as sequelas de um derrame?

Há cura para as sequelas do acidente vascular cerebral?

As principais sequelas do AVC são a dificuldade para andar, falar, se expressar e compreender, dormência ou paralisia facial, problemas de deglutição, fraqueza nos membros etc. Alguns danos motores, musculares e até mesmo linguísticos podem ser amenizados com o tratamento multidisciplinar, que inclui o acompanhamento neurológico, fisioterapêutico, fonoaudiológico.

Entretanto, é importante ressaltar que alguns prejuízos são irreversíveis. Durante um acidente vascular cerebral, a cada hora morrem aproximadamente 120 milhões de células cerebrais. Não há nada que possa ser feito para que elas revivam, mas o tratamento imediato pode impedir maiores danos e aumentar as chances de melhor resposta clínica à abordagem terapêutica.

Como tratar o AVC?

O acidente vascular cerebral é uma emergência médica que requer rápido tratamento. Quanto antes o paciente é atendido, maiores são as chances de evitar sequelas. O tratamento envolve o uso de medicação anticoagulante para liberar o fluxo sanguíneo e desmanchar eventuais coágulos. Com isso, ocorre a  desobstrução dos vasos sanguíneos a fim de normalizar a circulação cerebral.

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Irisina e a doença de Alzheimer

Irisina e a doença de Alzheimer

O Alzheimer é a síndrome demencial mais comum entre a população mundial. Atualmente, há mais de 45 milhões de pessoas com demência no mundo, das quais pelo menos 35 milhões possuem Alzheimer. A estimativa é de que esse número praticamente venha a dobrar nos próximos 20 anos. Muito, não?

Cumpre salientar que essa doença não tem cura e pode levar ao comprometimento gradual de atividades, gerando uma ampla gama de alterações comportamentais e sintomas neuropsiquiátricos. Esses fatores impactam fortemente a saúde, o bem-estar e a autonomia do indivíduo.

Embora seja uma condição neurológica muito séria e tida como irreversível, o hormônio irisina surge como uma possibilidade de melhorar o funcionamento dos neurônios, preservar as sinapses e, consequentemente, prevenir os esquecimentos típicos do Alzheimer. Quer entender como isso pode acontecer? Veja só!

O que é Alzheimer, afinal?

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, caracterizada pelo declínio progressivo das funções cognitivas do indivíduo. Essa enfermidade compromete a memória e o raciocínio lógico, além de reduzir a autonomia e capacidade de trabalho. As relações sociais também são afetadas devido ao comportamento e à personalidade de quem sofre com esse mal.

E irisina, o que é?

A irisina é um hormônio produzido especificamente pelos músculos durante a prática de exercícios físicos. Ela cumpre as importantes funções de proteger o cérebro, formar memórias e contribuir com a comunicação dos neurônios.

A irisina favorece a preservação das sinapses, sendo capaz de impedir que as toxinas que provocam degeneração neurológica se conectem aos neurônios. Esse hormônio ainda desencadeia alterações químicas, que impedem que o cérebro perca a sua capacidade de armazenar informações recentes.

O que a irisina tem a ver com o Alzheimer?

Estudos recentes evidenciam a relação entre a irisina e o Alzheimer. Primeiramente, as pesquisas conduzidas por estudiosos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com pesquisadores da Queen’s University, no Canadá, comprovaram que os exercícios físicos regulares ajudam a tratar e prevenir o Alzheimer.

Os testes foram realizados em camundongos geneticamente modificados com a doença e os resultados da investigação científica revelaram que os animais com Alzheimer possuíam baixos níveis de irisina no cérebro. Além disso, nos camundongos atingidos pelo Alzheimer, a reposição dos níveis de irisina no cérebro, inclusive por meio de atividades físicas, possibilitou a reversão da perda de memória. Para completar, o hormônio ajudou a potencializar os efeitos positivos dos exercícios sobre o cérebro dos roedores.

As pesquisas não são conclusivas e muito ainda precisa ser estudado e testado. Não se sabe, por exemplo, como (e se) a irisina pode impedir que as placas de β-amiloide ataquem os neurônios. Ainda assim, o hormônio surge como uma esperança para retardar a degeneração cognitiva e, quem sabe, melhorar a memória dos pacientes com Alzheimer.

Talvez, no futuro, tenhamos medicamentos à base de irisina para tratamentos farmacológicos mais efetivos.

Quer saber mais sobre Alzheimer? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como neurologista em Brasília.

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O que são doenças neurológicas?

O que são doenças neurológicas?

Muito se fala sobre doenças neurológicas, mas, você sabe o que realmente elas significam? Trata-se de um conjunto de enfermidades que afetam o sistema nervoso central e periférico, desencadeando diversos sintomas cognitivos, psicológicos e motores. Elas podem atingir não só o cérebro, como também os nervos e a medula espinhal.

Boa parte das doenças neurológicas possuem caráter degenerativo, isto é, apresentam deterioração progressiva dos neurônios e agravamento gradual dos comprometimentos funcionais. Isso impacta fortemente a saúde, o bem-estar, a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes.

Vale destacar que a especialidade que se preocupa com o diagnóstico, a prevenção, o estudo e o tratamento desse grupo de doenças é a neurologia.

Quer entender melhor as doenças neurológicas, conhecer as principais condições que acometem o sistema nervoso e descobrir quais são os sintomas frequentes dessas enfermidades? Continue a leitura deste artigo e saiba mais sobre o tema!

Quais são as principais doenças neurológicas?

São inúmeras as condições, patológicas ou não, que atingem o sistema nervoso. Entre elas, vale citar:
– atrofia muscular espinhal (AME),
– acidente vascular cerebral (AVC),
– disfagia pós-AVC,
– esclerose lateral amiotrófica (ELA),
– paraparésia espástica familiar (PEF),
– poliomielite aguda,
– síndrome pós-pólio,
– Parkinson,
– Alzheimer,
– esclerose múltipla,
– mielopatia,
– polineuropatia,
– miastenia Gravis,
– traumatismo cranioencefálico (TCE),
– demência vascular,
– autismo,
– síndrome de Tourette etc.

Quais são os sintomas mais frequentes de distúrbios neurológicos?

Os sintomas neurológicos não seguem exatamente um padrão. Eles são variados, pois o sistema nervoso é responsável por realizar e controlar diferentes funções orgânicas. É importante salientar que as manifestações típicas de doenças neurológicas normalmente são provocadas por transtornos que afetam uma parte ou todo o sistema nervoso.

Entre os sintomas mais frequentes estão diversos tipos de dores, como dor de cabeça, dor nas costas, dor nos braços e dor nas pernas. Pode haver fraqueza na musculatura, sensibilidade cutânea, alterações nos sentidos, dormência, formigamento, falta de coordenação motora, tremores, perda de tônus muscular, distúrbios do sono e dificuldade de locomoção.

Não raro, determinadas doenças neurológicas resultam em problemas de memória, dificuldade de raciocínio, baixa concentração, alterações na fala, déficit de aprendizagem, linguagem prejudicada e incapacidade de executar tarefas simples, o que gera prejuízos à autonomia do indivíduo.

Para completar, doenças neurológicas podem produzir danos  psicológicos, como alterações constantes de humor, vulnerabilidade à depressão, ansiedade, baixa autoestima e  isolamento social.

Como diagnosticar esse tipo de enfermidade?

As alterações neurológicas devem ser investigadas por um especialista. Ao perceber qualquer sinal suspeito, é importante agendar uma consulta com o neurologista para confirmar ou descartar a doença.

O diagnóstico é feito com base na análise dos sintomas relatados pelo paciente ou, no caso de crianças, relatados pelos pais. Deve ser realizado um exame clínico, testes cognitivos, além de exames de imagem para o diagnóstico diferencial. Somente cumprindo essa etapa é possível determinar o melhor tratamento.

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Meningite: Sintomas e Diagnóstico

Meningite: Sintomas e Diagnóstico

Segundo a Associação Médicos Sem Fronteiras, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que foram reportados no mundo quase 1 milhão de casos com suspeita de meningite, nos últimos 20 anos. Cem mil vítimas vieram a óbito.

Dessa forma, a estatística atesta o poder de contágio e a letalidade dessa patologia. No Brasil, anualmente, há uma campanha de vacinação contra a doença, mas nem sempre o número de pessoas alcançadas é suficiente.

Você sabe quais são os sintomas da meningite? Este texto traz informações e mostra quando é a hora de procurar ajuda médica.

O que é meningite?

É uma infecção no cérebro causada, principalmente, por uma bactéria ou vírus. Ao se instaurar, a infecção vence as defesas do organismo. Então, ataca as três camadas de proteção que revestem o encéfalo, denominadas meninges, bem como outras áreas do sistema nervoso central.

Em casos menos frequentes, a doença pode ser ocasionada por fungos ou pelo bacilo de Koch, causador da tuberculose. Quando provocada pela ação do vírus, o contágio ocorre pelo contato com a água, objetos ou alimentos contaminados. Esse é o tipo mais comum e menos agressivo.

O tipo bacteriano é considerado o mais grave. A bactéria entra na corrente sanguínea e se instala no cérebro. São várias as bactérias que provocam a doença. As mais comuns se desenvolvem a partir de uma infecção no ouvido ou no trato respiratório, pneumonia ou pela baixa imunidade.

Quando causada por fungo, a meningite pode provocar um quadro crônico. É a forma mais rara de manifestação e é contagiosa. Existem também casos raros de desenvolvimento da doença a partir de reações químicas, alergia a fármacos e de câncer.

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam de acordo com o tipo de meningite. Os mais frequentes são:

  • viral: sintomas semelhantes aos de gripe e resfriado, como por exemplo febre, dor de cabeça, rigidez da nuca, inapetência e irritabilidade;
  • bacteriana: os sinais mais recorrentes são febre alta, mal-estar, manchas vermelhas pelo corpo, vômito, dor de cabeça forte e dor no pescoço. Em bebês, há uma elevação da moleira;
  • fúngica: os sintomas são semelhantes aos outros tipos, tais como, febre, rigidez da nuca, sonolência, vômito e dor de cabeça.

Como diagnosticar?

A primeira abordagem médica para analisar a possibilidade da doença é a coleta de sangue e do líquido cerebroespinhal (líquor). O exame detectará o agente causador do problema. Essa confirmação é essencial para que o tratamento seja feito corretamente.

Outros exames adicionais também são realizados com frequência, tais como exame quimiocitológico do líquor, bacterioscopia direta, cultura do líquor, do sangue, das petéquias e das fezes, CIE (contra-imunoeletroforese cruzada) e aglutinação pelo látex.

A análise do aspecto do líquor é uma das alternativas mais precisas para casos de meningite. Em indivíduos saudáveis, o líquor é límpido e incolor. Porém, quando há infecção, ele fica turvo em decorrência do aumento de células.

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Diagnóstico e Tipos de Tratamentos da Esclerose Múltipla

Diagnóstico e Tipos de Tratamentos da Esclerose Múltipla

A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima que existam atualmente 35 mil brasileiros vítimas dessa doença. O grande desafio referente a essa patologia é a confirmação do diagnóstico. Isso ocorre em razão da grande variedade de sintomas e pela forma como se apresentam.

Você já ouviu falar nessa doença? Então, continue a leitura para conhecer um pouco mais a respeito desse distúrbio que acomete a tantas pessoas.

O que é esclerose múltipla?

É uma doença autoimune que atinge o cérebro, nervos ópticos e a medula espinhal. As patologias autoimunes são provocadas por ação do sistema imunológico,que por uma disfunção, combate alguma região do próprio corpo como se fosse um invasor.

A esclerose acomete o sistema nervoso central. Os neurônios – as células desse sistema – são revestidos por uma camada protetora denominada mielina. A mielina é o principal foco de combate das células de defesa do organismo.

Quando a mielina é afetada, ocorre interrupção do fluxo de impulsos elétricos enviados ao corpo pelas fibras nervosas. Essa interrupção causa bloqueio na comunicação do cérebro com a medula espinhal e outras regiões do sistema nervoso.

Dessa forma, com o tempo, a ação degenerativa da mielina acarreta lesões cerebrais. Estas podem provocar atrofia ou perda de massa cerebral até cinco vezes mais rápidas do que o normal.

Como diagnosticar?

Na fase inicial, a esclerose múltipla (EM) é de difícil diagnóstico, pois os sintomas não são recorrentes e são imprevisíveis. Existe uma lista extensa dos sintomas que podem ser provocados pela doença. Assim sendo, se perceber que algo está errado, procure um neurologista.

Em uma primeira avaliação do profissional, os seguintes critérios podem ser considerados:

  • análise de sinais que indiquem doença cerebral ou da medula espinhal;
  • incidência de duas ou mais lesões no cérebro, que serão avaliadas pelo resultado do exame de ressonância magnética;
  • constatação de uma evidência objetiva de doença do cérebro ou da medula espinhal;
  • confirmação de que o indivíduo apresenta dois ou mais sintomas que duram o mínimo de 24 horas e respeitam um intervalo de, pelo menos, um mês;
  • confirmação de que não há outra explicação para os sintomas apresentados.

Como se percebe, o diagnóstico é majoritariamente confirmado pelo exame clínico. Complementa-se com ressonância magnética e exame do líquor. Em alguns casos, podem ser solicitados exames adicionais, como o de sangue.

Quais são as alternativas de tratamento?

O tratamento da EM é baseado em dois objetivos: primeiramente abreviar a fase aguda da doença, depois aumentar o espaço de tempo entre os surtos.

Para o primeiro objetivo, o neurologista poderá prescrever o uso de corticoides, a fim de minimizar os surtos. Para o segundo, poderá haver prescrição de imunossupressores e imunomoduladores. Esse tipo de medicamentos aumentarão o intervalo entre os surtos e reduzirão o impacto negativo na vida do indivíduo.

A esclerose múltipla não tem cura, por isso, a base do tratamento é o uso de medicação para aliviar os sintomas. Outras alternativas à redução dos sintomas são fisioterapia, uso de relaxante muscular e outros medicamentos que reduzem a fadiga.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como neurologista em Brasília.

Posted by Dr. Heitor Felipe Lima in Todos